Assim, em menos de um ano, a minha vida mudou completamente.

“Minha infância foi marcada por dificuldades e um ambiente severo. Cresci em uma época em que os castigos físicos eram comuns e, sendo mulher, meu destino de submissão parecia traçado. Aos 17 anos, conheci o pai dos meus filhos. Ele tinha 36 anos, e em poucos meses de namoro, descobri que estava grávida. Assim, em menos de um ano, minha vida mudou completamente. Passei de adolescente a mãe, esposa e responsável por uma casa cheia.

Além do meu filho, tive que cuidar da minha sogra idosa, de uma cunhada surda-muda e de três sobrinhos pequenos. Em pouco tempo, percebi que aquele casamento era um erro, mas durou 10 anos. Quando finalmente decidi me separar, enfrentei resistência do meu marido. A sociedade me rotulou como “mulher largada”, e as poucas amizades que eu tinha desapareceram.

Meus pais, no entanto, me acolheram de volta com meus filhos pequenos. A vida de mulher separada era um desafio, mas eu me via como uma mulher forte. Para mim, ser forte significava suportar tudo, agradar a todos e colocar meu bem-estar sempre em último lugar. Eu dependia emocionalmente da aprovação dos outros.

Com o tempo, essa dinâmica me levou a um estado de exaustão emocional. Quando meu pai faleceu eu não consegui viver meu luto porque precisava cuidar da minha mãe. Poucos meses depois, ela foi diagnosticada com câncer. Durante 14 meses de tratamento, dediquei todo o meu tempo a ela, e quando ela faleceu, eu desmoronei. Fiquei perdida, sem energia, e cada dia era mais difícil sair da cama.

Foi nesse momento que decidi buscar ajuda e comecei a terapia da TRG. O processo foi difícil, doloroso e desafiador. Enfrentar meus medos, culpas e traumas parecia impossível. Muitas vezes quis desistir, mas segui em frente. A cada sessão, percebia que a transformação estava em minhas mãos.

Hoje, posso dizer que a TRG me salvou. Entendi que cuidar de mim não é egoísmo. Descobri que não posso oferecer o melhor para os outros se não estiver bem comigo mesma. Aprendi a me valorizar, a reconhecer minhas conquistas e a dizer “não” sem medo de perder o amor das pessoas. Finalmente, me sinto merecedora de coisas boas, e consigo viver com mais equilíbrio e felicidade.